Fizemos história!

“Obrigado pela confiança de vocês, por terem me escolhido para fotografar esse momento de ‘quase formados’. Foi a primeira vez que fiz fotos de formatura na vida!!! … (pausa para o espanto) … mas adoro fotografar pessoas, sem direção e à vontade para expressões, vivências e relacionamentos…”

Com essa introdução abri um capítulo novo na minha fotografia: formaturas! Uma das áreas que eu ainda não tinha entrado pelo tipo de imagens que sempre acostumei ver – e talvez você também – nos convites e demais peças de divulgação de quem está formando.

Sou fotógrafo de pessoas há quase 10 anos, as gestantes me contrataram geralmente após eu ter registrado seus casamentos, as debutantes são filhas de clientes e fotografei suas festas de 8, 10 anos… esses ciclos acontecem e são, pra mim, o único glamour da profissão: entrar para a história das pessoas. Através da fotografia, temos a chance de voltar no tempo e lembrar o que sentimos, uma emoção ou uma pessoa que não está mais entre nós, fisicamente. São instrumentos, as fotos, para essa ‘saudade afetiva’.

No caso de formaturas, logo após contar essa introdução lá em casa meu filho mais novo, Miguel, puxou minha orelha: “mas, papi, você fotografou minha festa de formatura, lembra?” e realmente aconteceu. Mas uma turma de formandos querer fotos diferentes para os protocolos formais da formatura foi a primeira vez. Sejam lá quais forem os usos dessas fotos – tem gente que não faz convite, tem alguns que não participam do baile – a construção narrativa desse momento é inédita pra mim. E foi muito, mas muito intensa! E a turma em questão é dos formandos em Arquitetura e Urbanismo do Instituto Metodista Izabela Hendrix, 2018!

A responsável por me contratar, a quase-arquiteta Deborah Beaumord (que fotografei aos 15 anos – olha um dos ciclos aí!), me perguntou se eu fazia. Eu respondi que sim, mas expliquei como eu faria. E ela topou de cara, e pra minha surpresa teve aceitação plena pela comissão de formatura. E agora? Onde eu me meti? Como posso contribuir para essas pessoas transmitirem ao mundo o que estão fazendo, que momento de vida estão passando? Como ‘linkar’ esse ensaio à área de atuação deles: arquitetura e urbanismo? A própria Deborah matou a charada. Escolheu um lugar dos sonhos para as fotos: a casa DO \ AR. Projeto do arquiteto Éolo Maia. Conhecido como um inventor de formas, segundo o site do próprio espaço ele também “era um inventor de palavras ou de dar novos significados para elas”.

Na visita ao espaço, antes da produção de fotos, apaixonei pelo lugar. Por suas retas, curvas, diagonais, materiais e elementos. Por sua aura. E comecei a criar possibilidades em reverência ao criador daquele espaço. Aquilo que a arquitetura faz de melhor por nós é ousar, modificar, experimentar e otimizar nossa vida. Junto com o urbanismo, os desafios em projetar e adaptar espaços para as pessoas morarem, trabalharem, relacionarem, viverem.

Pronto, tudo se encaixa! Agora, é só fotografar…

Mas para minha grata surpresa, após o susto inicial que a turma passou (um fotógrafo que nunca fotografou formatura, onde a gente se meteu?!), tudo fluiu muito bem. Estavam alegres, repletos de um sentimento de missão cumprida, pelo final do curso e pela festa que estavam fazendo durante as fotos: uma comemoração do encontro…

Lembro dos meus colegas de faculdade, em Publicidade e Propaganda. Já se foram vinte anos e mantenho uma amizade massa com muitos, encontramos quase todos os anos e acompanhamos uns a vida dos outros, seu crescimento, suas mudanças de rota. Há um sentimento muito forte de gratidão pelo tempo vivido juntos. E foi isso que percebi nesse ensaio. Aliás, pra mim essa sensação fez toda diferença, foi a tônica das fotos.

Quando se encontram a vontade de fazer diferente do fotógrafo com a liberdade concedida pelo fotografado; quando se junta um cenário inusitado com pessoas e elementos diversos, o resultado é uma fotografia mais rica, em sentido e significado. Com esse trabalho, acredito que fizemos história na fotografia de formatura. Talvez isso vire tendência, não sei. O que sei é que foi intenso e divertido fazer. Aos colegas da Deborah, minha eterna gratidão por esse primeiro e inesquecível ensaio de formandos de uma faculdade.

Ah, tá achando que ficou nisso? O grand finale foi dentro de uma piscina artística, com chuva de alegria e amizade. Vejam e tirem suas próprias conclusões:

Meu abraço de afeto, minha torcida por vocês!

Sergio Luiz Castro

slc

À minha equipe, Gabriel Ferreira e Priscilla Perzeweski, gratidão por tantas luzes e apoio oferecidos… à Jade e equipe Espaço DO \ AR, gratidão pela acolhida e um ‘até a próxima’ saudoso!